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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Minha vida e o efeito Mandela



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Como todos sabemos, ontem foi o dia 11 de Setembro, e essa é uma data com um significado bem impactante no mundo inteiro, já que nesse dia, 18 anos atrás, as torres gêmeas foram derrubadas por um ataque terrorista do grupo Al Qaeda, comandado por Osama Bin Laden, matando muitas pessoas e parando o tráfego aéreo no mundo inteiro. Sem dúvida um acontecimento horrível e marcante de todas as maneiras possíveis, mas aqui no Brasil esse dia é marcado por algo completamente diferente: O boato sobre o plantão da globo ter interrompido o Dragon Ball Z.  

Para quem não está entendendo nada, eu vou resumir: Para algumas pessoas, na hora do atentado estava passando Dragon Ball Z na Globo, o episódio em que Goku revelaria sua transformação de Super Saiyajin 3, e justo no momento em que ele estava a se transformar, o plantão interrompe a programação para noticiar o atentado aéreo nas Torres Gêmeas, sendo que isso não aconteceu, mas muita gente jura de pé junto que aconteceu, o que fez com que essa versão fosse contada diversas vezes. Essa história virou um motivo de discussão imenso na internet, já que virou um dos maiores boatos da internet brasileira. "Então esse é o tema de hoje? É um post investigativo para saber se aconteceu de fato esse plantão?" Não, pois primeiro eu não vi isso na TV, eu tinha apenas um ano na época, não lembro de nada; e segundo porque vários portais de notícias e Youtubers já fizeram isso, mas se você quer ver isso, entre nesse link. 

O post de hoje é pra falar sobre uma coisa chamada "Efeito Mandela", que é um termo criado por Fiona Broome em referência à um boato sobre a morte de Nelson Mandela na cadeia na década de 80. Basicamente "Efeito Mandela" é uma situação em que as pessoas dizem ter recordações de uma situação que não ocorreu ou aconteceu de um outro jeito. Essa história do Dragon Ball é um exemplo perfeito disso, foi um completo delírio coletivo que muita gente perpetuou, e isso me fez pensar na minha vida, se eu já passei por esse tipo de situação.    

Resolvi começar com um bem simples, algo bem similar a história do Dragon Ball Z, ou seja, uma outra fake news que eu acabei perpetuando por um tempo, que foi a história do "Didi não, Doutor Renato". Pra quem não sabe, em 2012 surgiu um boato na internet que Renato Aragão teria demitido um motorista por o ter chamado de Didi ao invés de Doutor Renato (inclusive foi uma história que foi repassada por portais de notícias) e por anos eu fixei na minha cabeça que isso era uma realidade, até que ano passado eu estava conversando com uma pessoa no Instagram e fiz uma piada referenciando essa história, só que eu pesquisei sobre e descobri que era um boato, o que me deixou muito surpreso. Isso nos faz refletir sobre o impacto que fake news tem na vida das pessoas, já que pra gente pode parecer inofensivo, mas são coisas que danificam reputações como se não fosse nada.  

Outros exemplos que passei foram sobre Fórmula 1. Nos primeiros anos que eu comecei a assistir, lá pra 2006, eu assisti o GP do Brasil que o Felipe Massa venceu, e por um bom tempo eu achei que ele havia sido campeão mundial só porque ele venceu a última corrida, até que me explicaram que não era o caso, na época eu tinha 8 anos, então eu não entendia muito bem como que funcionava, acho que dá pra perdoar isso, mas depois de alguns anos, isso me aconteceu de novo, só que de outro jeito. Em 2013, Lewis Hamilton trocou a McLaren pela Mercedes e em 2014 ele começou o reinado de dominância na categoria que perdura até hoje, conquistando 4 títulos mundiais; Sebastian Vettel saiu da Red Bull em 2014 para se mudar para a Ferrari em 2015, equipe que ele está até hoje; o que essas informações tem em comum? Por anos eu achei que Hamilton e Vettel fizeram suas mudanças de equipes em 2014, por que isso? Porque Hamilton começou a vencer os títulos em 2014 e Vettel, depois de quatro títulos seguidos, ficou sem conquistar nada desde então, e como a Ferrari é uma equipe que enterra carreiras, eu achei que seu período de jejum tenha começado a partir do momento que ele trocou pra equipe italiana, mas não foi o caso. Talvez isso tenha acontecido porque eu meio que parei de ver Fórmula 1 nesse período, só voltei a acompanhar assiduamente esse ano.    

Outra situação que me ocorreu foi no futebol, após um jogo amistoso entre Palmeiras e Ajax, de Janeiro de 2012, que terminou com uma vitória do time brasileiro por 1x0 com gol de Pedro Carmona no último lance do jogo, mas por anos e anos eu achei que quem tinha feito esse último gol foi o Ricardo Bueno por algum motivo que nem eu sei explicar, talvez o Luciano do Valle ou alguém tenha mencionado o nome do Ricardo no momento e eu tenha levado na minha mente que ele foi quem marcou o gol.    

Eu também já presenciei um caso de Efeito Mandela pelo YouTube, e me deu conta que eu também cometi o erro: Estava eu vendo um vídeo do Drake Bell em que ele estava cantando a música tema de Drake e Josh ao vivo em um show, até que na hora do refrão as pessoas cantam "it's gonna take sometime to realize" o que faz Drake parar imediatamente sua performance e os corrigir, dizendo que não era "realize" e sim "realine", fazendo muitas pessoas de idiotas ao perceberem que passaram anos de suas vidas cantando a música errado (incluindo eu também), o vídeo é bem legal pois você vê que o Drake meio que esperava que eles fossem cantar errado e ele ficou mais do que feliz em fazer a correção.            

 
Agora vou contar um momento em que eu achava que estava fazendo de novo, mas eu estava certo: Vocês já viram aquele episódio de Friends na primeira temporada que eles jogam poker e o Ross começa a bancar o babaca pra cima da Rachel? Se lembram da parte em que Ross, Chandler e Joey estão conversando, Marcel coloca um CD, começa a tocar "The Lion Sleeps Tonight" e os três começam a dançar? Por algum motivo, na versão da Netflix essa cena não está presente, talvez seja coisa de direitos autorais com a música e tal, não sei, mas por anos eu achei que eu estava louco e falava "eu tenho certeza que tinha uma cena ali", até que eu encontrei a cena no YouTube e me tranquilizei. Aparentemente eu não estava louco.


sexta-feira, 26 de julho de 2019

Vamos falar sobre: Manual de Sobrevivência Escolar do Ned (2004)


Quando se fala de séries da Nickelodeon, todo mundo logo lembra das famosas ICarly, Drake e Josh, Kenan e Kel, Victorious, Henry Danger e etc. Mas nenhuma dessas é a minha favorita, já que essa coroa pertence 100% para o Manual de Sobrevivência Escolar do Ned.   

Eu sei o que vocês estão pensando: "Olha só o diferentão, o hipster. O cara que prefere essa série do que alguma como ICarly, que babaca", mas infelizmente eu não posso evitar. O seriado do Ned fisgou meu coração desde a primeira vez que vi, num domingo no final de 2009, na Band. E depois nas tardes de segunda a sexta em 2010, também na Band. Esse seriado virou uma parte muito importante da minha infância/pré adolescência (mesmo que eu não tenha assistido por muito tempo, já que a Band tirou do ar pouco tempo depois, exibindo só em 2011 e depois nunca mais) e recentemente eu reassisti a série na internet, passando por todas as temporadas só nessa semana, eu maratonei a série com uma intensidade que eu não tinha fazia um tempo, e agora vocês vão entender por que.

Mas antes... Um background da série: Ned Bigby é um garoto comum que faz a sétima série e tem que enfrentar todo tipo de coisa, seja valentões, matérias difíceis, paixões, todo tipo de problema adolescente que todo mundo já passou um dia, mas ele não está sozinho nessa, ele tem dois melhores amigos: Jennifer Mozely (ou Moze) que é uma amiga de infância dele e um tremendo pitelzinho, e Simon Nelson Cook (Cookie), um nerd meio homem e meio computador,  um viciado em computação que tenta a todo custo usar a tecnologia pra facilitar sua vida. Os dois são o apoio de Ned para ajudá-lo com o seu Manual, que dá dicas variadas para ajudar os alunos a vencer os problemas de escola. A série ficou no ar na Nick entre 2004 e 2007, tendo 3 temporadas. 

O programa é adorado e cultuado pelas pessoas, mas não ao mesmo nível de séries já citadas acima como ICarly e Drake e Josh, talvez por não ser tão conhecido aqui no Brasil, já que teve vida curta na TV aberta e só ter sido exibida na Band, mas apesar disso, a série consegue se destacar por vários motivos, e um deles é a sua forma única e totalmente diferente de sitcom, que mais parece um desenho em forma de série, o que faz a série sair um pouco do clichê de sitcoms, e talvez isso não seja uma coincidência, já que o criador da série nada mais é do que Scott Fellows, responsável por desenhos como Padrinhos Mágicos e Johnny Test (inclusive, os Padrinhos Mágicos fazem uma participação em um episódio da série). 

Outro fator que podemos citar são seus personagens secundários, que como em toda boa sitcom, conseguem muitas vezes ser mais engraçados que os principais. O zelador Gordy é um tremendo vagabundo que não faz seu serviço, mas sempre está ajudando as crianças com conselhos e em suas empreitadas. Ele também tem uma briga eterna com uma fuinha que ele nunca consegue pegar. Outros personagens marcantes são a Suzie Capitinga (paixão de Ned e rival de Moze) Billy Loomer (o chefe dos valentões que tem uma queda por Moze) Lisa Zemo (uma guria toda cagada que é afim do Cookie) Cabeça de coco (um moleque com um corte de cabelo zoado) Sweeney (um professor de ciência carrasco), a Pop Gangue (meninas valentonas que são gamadas no Ned) e muitos outros ótimos personagens.  

No quesito história, a série não é exatamente profunda, já que a maioria dos episódios foca mais nas situações e nas dicas do que numa história contínua (que é o ponto da série), mas volta e meia a série traz suas histórias, que em sua maioria tem a ver com a vida romântica do trio, com Ned no caminho para conquistar Suzie, Moze tentando conquistar Seth ou Fayman (aluno brasileiro que aparece na última temporada e chega até a falar português em cena) e Cookie dando em cima de várias. Cenas que as vezes se mostraram meio repetitivas e um pouco chato, mas acho que é mais ou menos por aí que funciona namoros na adolescência, então dá pra deixar passar. 

A série de vez em quando apresenta algumas inconsistências e furos no roteiro, como por exemplo, em alguns episódios Ned tem Suzie na sua mão e eles se tratam como namorados, mas em outro, os dois não estão se falando e Ned está tentando conquistá-la, sem nenhuma explicação; outro caso é sobre o namorado brasileiro de Moze na terceira temporada que é um prato cheio de erros, já que Fayman não é exatamente um nome brasileiro, e ele parece não se decidir em que idioma falar, já que uma hora ele não fala inglês e até chega a falar português com a professora de linguagens, mas na cena que ele encontra os pais dele, que supostamente também são brasileiros, ele fala com eles em inglês, o que não faz o menor sentido.   

Apesar de erros, a série também acerta bastante nas suas narrativas, como por exemplo, a mudança de visual de Lisa, que fica bonita e cheia de atenção dos rapazes, deixando o Cookie chupando o dedo e buscando ela de volta; Outro acerto se tratando de Cookie foi a sua dinâmica com a personagens Evelyn, uma garota neurótica e competitiva que quer ser mais inteligente que Cookie, mas acaba se apaixonando por ele, trazendo boas doses de comédia e de fofura, já que eu torci pelos dois; E por falar em um casal que eu "shippei", temos o cenário Loomer e Moze, que começou quando o valentão escreveu cartas de amor pra ela, e ela até ficou balançada, mas infelizmente nada rolou entre esses dois. Mas o maior acerto narrativo da série foi a forma para se juntar Ned e Moze, que todo mundo sabia que ia rolar, já que sempre houve pistas de que havia sentimento dos dois ao longo das temporadas, mas só na temporada final as coisas se concretizaram no jeito mais louco e fofo possível para demonstrar que era destino desde o início. A série não fazia muitos trabalhos narrativos, mas quando fazia não decepcionava, acho que a única tristeza pra mim foi não terem explorado mais o casal Loomer e Moze.  

Manual de Sobrevivência Escolar do Ned deu tão certo porque é uma série que agrada todo tipo de público, tem a dosagem perfeita de humor, não sendo nem tão bobinha quanto a média de séries da Nick, mas também não sendo tão inteligente, é uma série gostosa de assistir. Além de ser uma série boa de ver, também pode te apresentar boas ideias de como lidar com problemas como hábitos ruins e falta de organização, e acima de tudo, passar uma mensagem positiva para os jovens, uma mensagem sobre aceitação e a forma de se lidar consigo mesmo, o que sempre é uma boa coisa.  

Nota: 9/10 

sábado, 13 de julho de 2019

Cachorro Grande: Baixo Augusta (2011) Review #06: Projetos paralelos e uma causa nobre


Após um álbum polarizador, a Cachorro Grande volta aos negócios para lançar o álbum Baixa Augusta, lançado entre 2011 e 2013, primeiro com a disponibilização para download no fim de 2011, o lançamento em CD, em maio de 2012, e o lançamento em vinil, em setembro de 2013.   

Antecedentes:   

Após 3 álbuns sobre a direção da Deckdisk, a banda assina com a gravadora Trama, uma gravadora menor e mais conhecida pelo trabalho junto a grupos indie como o Cansei de Ser Sexy. No mesmo tempo, um dos integrantes da banda anuncia o lançamento de um trabalho solo, e se tratava nada mais nada menos que Marcelo Gross, guitarrista da banda que ocasionalmente cantava (e se saia muito bem), e todo esse trabalho culminou no álbum que viria a ser lançado em 2013, com o nome do Marcelo Gross.  
Pouco após o lançamento digital do álbum, o vocalista Beto Bruno deu as seguintes declarações sobre pirataria para uma matéria do G1 "Só Roberto Carlos deve fazer dinheiro com venda de discos no Brasil. A gente ganha pra viver fazendo show. É isso que dá tesão. Queremos que escutem, cantem, não importa a forma como nosso produto é adquirido" . 
Ele ainda continua dizendo "Se a gente não fizer, alguém vai lá e faz. Queremos ser pirateados, é sinal de que o povo gosta, compra e irá aos shows. É ferramenta de acesso. O que entristece é quando vemos nossos álbuns sendo baixados na internet sem qualidade nenhuma"  Dando seu parecer sobre a pirataria e o motivo de ter disponibilizado o download do disco. 
Regravação de uma música de Erasmo Carlos: 
 
Em 2012, a Cachorro Grande resolveu continuar na vibe de downloads grátis e participou de uma causa nobre: Junto com bandas como Fresno, a Cachorro Grande regravou uma música do Erasmo Carlos para o projeto Muda Rock, em que a versão da música ficaria disponível de graça para download no site deles e a cada download, uma muda de árvore seria plantada. A música regravada pela banda gaúcha foi a "Sou Uma Criança, Não Entendo Nada" de Erasmo Carlos, com direito a um clipe que os membros da banda bebem e cantam com uma imagem do tremendão ao fundo e até caem na pancada. É uma versão muito boa que vale a pena o download. 

Participação no Agora É Tarde com Danilo Gentili: 
Em julho de 2012 (mais precisamente no dia 13/07, mais conhecido como dia do rock) a banda participou do programa da Band que até então era de Danilo Gentili. Eles conversaram sobre o Baixo Augusta, sobre o dia do Rock, quebraram guitarras e cantaram a música Difícil de Segurar, um dos singles do novo trabalho. Como eu não consegui colocar o vídeo aqui e eu tô com preguiça de baixar, vocês podem conferir a entrevista clicando aqui

O álbum: 
 

Não Entendo, Não Aguento: Uma música bem enérgica para começar com o pé na porta o álbum, e pela primeira vez uma música sobre política, ou melhor, uma música apolítica, falando sobre como os políticos não conseguem/não querem se conectar com os anseios da população. Uma música que poderia facilmente ser a abertura do CQC e ninguém ia notar a diferença. 

Difícil de Segurar: Outro rockão ao estilo da Cachorro Grande, mas não ao estilo antigo deles, e sim algo mais próximo do Pista Livre que eles fizeram depois. Uma música que lembra bastante o som do Rolling Stones, e consegue ser tão boa quanto, foi uma boa escolha para single.  

Tudo Vai Mudar: Com uma pegada mais eletrônica, a música faz um elo ao último álbum, Cinema, mas dessa vez ele segue firme no rock psicodélico e não vai muito ao space rock, fazendo uma música dançante e enérgica, ao estilo da banda. 

Baixa Augusta: Uma música mais dark e psicodélica, mas que não saí do estilo da banda. Sem dúvidas uma música valorosa e gostosa de se ouvir em um show ao vivo, por exemplo, infelizmente nunca tive essa chance, mas provavelmente deve ser bem legal.  

Só Você Que Não: Outra música que conversa com o álbum antigo, podemos dizer que essa música é a irmã da Dance Agora, já que a letra é bem parecida, mas essa música acaba sendo mais explosiva e mais dançante ao mesmo tempo, então dou a vitória a essa música se tivéssemos que comparar.  

Corda Bamba: Uma música com melodia mais leve, mas não exatamente depressiva. Podemos dizer que essa é uma das melhores músicas que são cantadas pelo Gross, com uma performance bem sólida, tornando-a uma das melhores do álbum.  

Volta Pro Mesmo Lugar: Uma música bem parecida com a anterior, mas dessa vez cantada por Beto Bruno. Um som que sem dúvida consegue cativar, mesmo que a letra não seja das mais complexas.  

O Fantasma do Natal Passado: A música tem quase o mesmo acorde que as outras duas acima, mas em questão de letra e composição é uma maravilha. Uma música riquíssima na letra, talvez uma das melhores letras já escritas pela banda. 

Surreal: Uma música com uma pegada mais anos 60, com um estilo que lembra bastante as músicas dos Beatles (especialmente no refrão que segue um coro envolvente e belo).  

Cinema: A música mais longa do álbum, Cinema fala sobre um casal com preferências diferentes de filmes. Cheia de referências a cineastas, a faixa que leva o nome do álbum anterior tem um riff forte e que aliado ao vocal de Beto Bruno, faz um som mais passivo agressivo, produzindo uma experiência interessante. 

Mundo Diferente: O outro single do álbum, Mundo Diferente é a música mais romântica do trabalho, mas não é um romantismo bonito como em Sinceramente, e sim um romantismo mais chinfrim, mais meloso aliado com a melodia e o riff, mas ela faz um bom trabalho em fechar o álbum. 

Nota 9/10: Sem dúvidas um grande álbum. Baixo Augusta em sua maioria segue tendências dos anos 70, coisa que o Cinema também tentou fazer, mas acabou funcionando melhor aqui, sem muitos experimentos e ousar demais, a banda acabou conquistando o objetivo e fez um ótimo trabalho antes dos seus dois álbuns finais, que mudariam de vez a roupagem da banda. 


Cachorro Grande: Cinema (2009) Review #05: Mudanças no som

No último post, nós falamos sobre a palavra mudança, e essa palavra define muito bem o que acontece no álbum Cinema, da Cachorro Grande, lançado em 2009. 

Antes do álbum:



Logo após o lançamento do álbum Todos os Tempos, a banda Cachorro Grande trabalhou em uma parceria com o cantor Nando Reis (eternizado por parcerias com a cantora Cássia Eller) num álbum ao vivo com o nome "Estúdio Coca Cola: Nando Reis e Cachorro Grande" lançado em 2007, em que foram cantados sucessos do cantor e da banda, inclusive esse vídeo com uma versão do sucesso Sinceramente, do álbum Pista Livre, com uma participação mais que especial de Nando. 

Um conceito diferente:  
Esse álbum entrou numa ideia diferente, num som novo para a banda, trazendo elementos do Rock Psicodélico e o Space Rock, que é um tipo de som em que várias coisas são aproveitadas, como som de ventos, eco, animais e etc, várias coisas que podem ser ouvidas ao longo do álbum.  
De acordo com o guitarrista Marcelo Gross, a ideia era resgatar influências da banda, sons que eles ouviam na adolescência como Rock dos anos 70 como Pink Floyd, Led Zeppelin, Jethro Tull e muitas coisas do Space Rock, fazendo o som ter mais cara de anos 70 do que anos 60, que era o que eles vinham fazendo nos últimos trabalhos.  

O nome:  

O nome do álbum se dá por causa de algumas influências específicas em algumas músicas, como por exemplo, na música "Amanhã", eles dizem terem se influenciado no filme Mar Adentro; e a música "Pessoas Vazias" foi inspirada no falecido ator, comediante e cantor britânico Peter Sellers (não me perguntem o porque das influências, não vou saber responder).   

O álbum: 


Com uma das capas mais hipsters de todos os tempos, a banda Cachorro Grande meio que entra mas não entra num processo de metamorfose, fazendo mais experimentos, alguns que não durariam, outros que iriam prever outras fases da banda (mais nisso daqui a pouco).  

O Tempo Parou/Sabor a mil: A música mostra uma trend desse álbum que seria o Folk Rock, que teve pouca participação no último álbum, voltou com tudo dessa vez. Uma música um tanto quanto diferente, com mais participação do banjo do que da guitarra, emendando com outra música no final, não sei exatamente o que pensar dessa música.  

Dance Agora: Um dos singles desse álbum, Dance Agora tem uma pegada mais dançante, até flertando com música eletrônica, coisa que viraria trend para a banda poucos anos depois. Uma música que fala sobre a juventude antenada, com certeza tem o seu valor, mesmo não sendo uma das mais fortes da banda. 

Amanhã: Música já citada aqui, amanhã tem um clima meio surrealista/sobrenatural, mexendo com a ideia de paraíso e a vida após a morte, a música também tem uns arranjos meio indianos, o que me faz pensar se a banda se inspirou com a novela Caminho das Índias, no ar na época (sarcasmo). 

Por Onde Vou: A MÚSICA MAIS FORTE DO ÁLBUM. Por Onde Vou fala sobre reconstrução e incertezas da vida, uma música meio triste e meio alegre, com um riff que te faz pensar em várias coisas, é o tipo de som que transcende épocas, de fato uma música muito bonita.  

A Alegria Voltou: Numa pegada mais alternativa, a música é familiar aos ouvidos dos fãs mais antigos da banda, que tem picos dos primeiros álbuns, mas também bebe um pouco da fonte do Pista Livre, uma música que com certeza é agradável e poderia se encaixar tranquilamente em qualquer trabalho anterior da banda. 

A Hora do Brasil: Aqui nós vemos o Space Rock fazer a sua presença nesse álbum, com pequenos fragmentos do programa radiofônico estatal "A Voz do Brasil", mas além disso também temos a presença de uma guitarra mais alternativa e um pouquinho mais de teclado, o que trouxe um bom resultado, produzindo uma das melhores músicas do álbum. 

Diga O Que Você Quer Escutar: Com uma presença maior do baixo e guitarra, a música cantada por Marcelo Gross com certeza é um up ao álbum com seus arranjos e melodia bem estruturadas, mas o único ponto ruim que eu tenho sobre é a letra, que é um pouco confusa, com brincadeiras de palavras que acabam não levando a nada muito importante, mas não tira muito da música.  

Ela Disse: Pegando um pouquinho de jazz, a música trás uma paz e calmaria para um álbum que até agora tinha sido mais sobre músicas dançantes e acaloradas, seguindo a linha da banda, mas essa não, mas foi uma mudança bem vinda, uma música interessante.  

Ninguém Mais Lembra de Você: Voltando a linha dançante e divertida, Ninguém Mais Lembra de Você faz uma boa parceria com Dance Agora, sendo uma das mais balançantes deste álbum. 

Luz: Uma música que se intercala com o passado e o presente da banda, começando com arranjos de banjo e arrebatando com raiva na hora do refrão, com as famosas gritarias de Beto Bruno.  

Eileen: Uma das músicas mais diferentes do álbum, mas nem sempre mudança significa algo bom. Eileen tem muita presença de eco, que aliado a tentativa de voz aguda de Beto Bruno não faz a música nenhum favor, fazendo essa ser a música mais fraca do álbum. 

Pessoas Vazias: Uma música um tanto quanto parecida com sua anterior, mas com mais presença de guitarra e bateria, mas ainda assim com eco, que dessa vez está reduzido, então não tira tanto da música. 

Nota: 7,5/10: Quando chegou a hora de falar sobre esse álbum, fiquei meio que receoso, já que Cinema nunca foi um álbum que eu gostei muito, mas quando revisitei o álbum, acabei gostando mais do que devia, então uma nota que seria mais baixa acaba aumentando. Cinema não é um álbum ruim, longe disso, mas consigo entender o fã que não gostou de primeira, mas ao menos o próximo álbum seria melhor.